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BEM-ESTAR E SEGURANÇA DIGITAL NAS REDES SOCIAIS

2026. O ano mais tecnológico na vida humana. Nunca antes o mundo foi tão digital. Reuniões, trabalhos, conversas, acesso a notícias, tudo isso a apenas um clique de distância.

A tecnologia, como tudo na vida, tem aspectos positivos e negativos. Ao mesmo tempo em que conecta, aproxima e minimiza distâncias, pode criar abismos, difundir negatividade e falsidade de informações e trazer riscos aos seus usuários.

Segundo os dados da Secretaria de Comunicação Social do Governo Brasileiro, 93% da população entre 9 e 17 anos de idade é usuária de internet no país e 23% dessa população teve acesso à internet pela primeira vez até os 6 anos de idade.

Dentre os principais canais de comunicação utilizados atualmente, notadamente o aplicativo WhatsApp é o mais conhecido e utilizado em nosso País. Segundo a revista Forbes[1], o WhatsApp é utilizado por cerca de 147 milhões de usuários no Brasil, estando presente em cerca de 99% dos smartphones. Estima-se ainda que 96% dos usuários acessem o aplicativo diariamente, demonstrando assim o quanto este aplicativo está presente na vida dos brasileiros, seja para fins pessoais ou profissionais.

Aos pais e responsáveis dos menores de idade, resta a preocupação com a modelação que vem se desenhando baseada na “convivência digital” operada através do WhatsApp, a qual, sem moderação, pode se tornar muito danosa e prejudicial.

O ambiente digital que se materializa através do WhatsApp apresenta aos usuários uma dinâmica muitas vezes distinta da vida “não digital”. Isto porque, dentro da plataforma de conversas, é estimulado um fator muito relevante: o dinamismo.

No WhatsApp, tudo é abreviado, tanto as palavras, quanto a relação entre as pessoas. Nas conversas escritas, podemos notar que a Língua Portuguesa vem ganhando novos contornos, com a criação de novos termos, cada vez mais curtos. Além disso, auxiliares de escrita e corretores ortográficos tiram a necessidade dos usuários pensarem na forma correta de escrita de uma série de palavras.

E, ainda falando sobre dinamismo, importante dizer que o aplicativo possui uma ferramenta de envio de áudios, o que dispensa o uso da escrita. Entretanto, como se não bastasse, hoje ainda é possível utilizar uma outra ferramenta disponibilizada pelo WhatsApp chamada de “transcrição”, através da qual se torna desnecessário – caso seja de interesse da pessoa – ouvir uma mensagem de áudio, já que ela pode ser transcrita na íntegra, permitindo a análise mais ágil e pontual do áudio recebido.

Todos esses fatores somados apresentam um cenário que causa insegurança. Infelizmente hoje, podemos observar que muitas pessoas, especialmente os menores de idade, têm claros e evidentes problemas de grafia de palavras. Além disso, têm problemas com a leitura de textos, livros, reportagens e todo tipo de material escrito que seja minimamente mais extenso. Soma-se ainda a esta situação uma outra consequência dolorosa: a perda da capacidade de discussão de ideias com argumentação firme.

Enquanto no aplicativo se você tem uma discussão com alguém basta apertar o botão “bloquear”, na vida real a situação é bem mais complexa. O conflito de ideias se mostra mais raso e supérfluo, exatamente pela dificuldade em reagir em um campo onde as ferramentas digitais não existem.

Por este motivo é que é necessário que os pais estejam sempre atentos e que orientem seus filhos para que as redes sociais e os aplicativos de comunicação sejam sempre ferramentas de auxílio e desenvolvimento e não o contrário.

Cabe aos pais o acompanhamento de seus filhos nessa “jornada digital” criando a consciência de que o mundo digital e o mundo real podem e devem coexistir, entretanto, observando os limites de um sobre o outro.

Dentre os limites citados, importante destacar ainda a questão salutar que está correlacionada.

Cada vez mais se vê uma dependência dos jovens sobre o aparelho celular e tudo que ele fornece, como as redes sociais e os aplicativos de conversas.

Essa dependência tomou uma proporção tão grande que passou a afetar o desempenho escolar dos jovens, com a utilização do celular durante as aulas, seja para conversas via WhatsApp com amigos e familiares, para gravar vídeos de colegas, professores e até mesmo do ambiente escolar e, ainda, para ouvir música, jogar e realizar outras atividades, que não deveriam de modo algum se fazerem presentes durante o horário escolar.

Não vislumbrando outra saída e diante da gravidade da situação, o Governo redigiu a Lei nº 15.100/2025 que proíbe o uso de celulares e eletrônicos portáteis por alunos dos Ensinos Infantil, Fundamental e Médio em escolas públicas e privadas de todo o país.

A restrição abrange aulas, intervalos e recreios e tem por objetivo principal melhorar o aprendizado, a concentração e a saúde mental dos estudantes e, desde a entrada em vigor dessa Lei, é possível observar que os objetivos estão sendo atingidos conforme o esperado.

Por outro lado, é importante salientar que o mesmo “controle de utilização” deveria ser seguido nos momentos “não letivos”. Isto porque, muitos jovens ficam trocando mensagens ou utilizando redes sociais como Instagram, Facebook e X até altas horas, o que compromete a chamada “higiene do sono”, de modo que os alunos pouco dormem e, como consequência, têm mais dificuldade de concentração e aprendizagem.

Outro cuidado necessário é com a segurança física e digital dos jovens nas redes sociais.

Infelizmente o ambiente digital permite que pessoas se passem por outras que não são, com o intuito de manipular e/ou enganar jovens para obter sucesso em objetivos escusos e perigosos.

Muitos jovens acabam sendo vítimas fáceis por serem ainda inocentes e não conhecerem a maldade do mundo. Por isso, acabam tendo seus direitos à personalidade violados com a divulgação de fotos e vídeos de caráter íntimo, com superexposição pessoal e até mesmo em desafios presentes na internet que colocam a integridade física dos jovens em risco.

Por estes e tantos outros motivos é que os pais devem estar sempre muito atentos e, caso identifiquem algum sinal de risco, busquem ajuda especializada e qualificada o mais rápido possível.

Infelizmente os chamados “crimes digitais” são cada vez mais comuns e além de apresentarem os menores de idade como vítimas, também podem os apresentar como praticantes de condutas caracterizadas por lei como crime, respondendo na forma devida, sem que se afaste a responsabilização dos pais pela conduta inadequada de seus filhos nas redes sociais, podendo serem sancionados com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei nº 8.069/90), com base no Código Penal Brasileiro (Decreto Lei nº 2.848/40) e em leis esparsas, de específica aplicação em cada caso.

Internet, redes sociais e segurança são elementos que devem trabalhar em conjunto para que os usuários, principalmente os menores de idade, construam um ambiente rico, salutar e saudável para todos os envolvidos.


 
 
 

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